ex: A Origem
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Meryl Streep já foi polonesa (A Escolha de Sofia), italiana (As Pontes de Madison) e irlandesa (A Dança das Paixões). Interpretou uma freira rigorosa (Dúvida), uma professora dedicada (Música do Coração) e uma psiquiatra (Terapia do Amor), entre tantas outras profissões. Já cantou em cena (Mamma Mia!), foi mocinha e vilã. No auge de seus 62 anos, sem ter mais nada a provar, encarou um de seus papéis mais difíceis: Margaret Thatcher, a ex-primeira-ministra britânica que despertou sentimentos distintos ao longo de seus 11 anos de governo. Difícil não apenas pela natureza da personagem, mas especialmente por seus trejeitos. Streep, sem exagero, personifica Thatcher. É o que segura o filme.
A Dama de Ferro apresenta a história de Margaret Thatcher usando a velha fórmula de mostrar a protagonista já idosa e, a partir de suas lembranças, exibir seus feitos do passado. Uma tática explorada à exaustão em cinebiografias, como Piaf – Um Hino ao Amor, ressaltada ainda por outro truque: colocar um personagem querido, e já falecido, para conversar com a pessoa retratada. É este o papel de Jim Broadbent, que impõe um tom cômico e provocador ao seu Dennis, marido de Margaret. Junta-se à receita de bolo uma trilha sonora clichê e pronto, eis um filme absolutamente igual a tantos outros. Pior: sem a capacidade de explicar de forma convincente a complexidade da época em que Thatcher governou.
Os principais eventos do final dos anos 70 e da década seguinte até são apresentados, com rápidas citações e cenas reais da época, captadas pela TV. Era um cenário bem diferente do atual, onde o duelo capitalismo x socialismo ainda imperava. A crise econômica vivida pela Inglaterra é simplificada e até bem apresentada através de comparações envolvendo responsabilidade fiscal (assunto macro) com orçamento doméstico (assunto micro). Tudo para aproximar o espectador a um tema dificil, de forma a também justificar sua baixa popularidade imediata. Situação revertida logo em seguida, com o sucesso na Guerra das Malvinas e a imediata consagração patriota.
Enquanto se atém aos dois fatos mais marcantes do governo Thatcher, a crise e a guerra, A Dama de Ferro se sai bem, apesar do cansativo e desnecessário vai e vem entre cenas do passado e do presente. É no que há além disto que o filme peca. Por exemplo, o rigor extremo com que Thatcher tratava sua equipe é ressaltado em detrimento das decisões impopulares que tomou, que fizeram com que deixasse o governo. Desta forma o filme dá à sua personagem principal um tom carinhoso, tornando-a vítima dos acontecimentos e uma injustiçada diante da história. Mais tendencioso, impossível.
Por outro lado, é Meryl Streep quem dá brilho ao filme. Sua primeira aparição, envelhecida graças à excelente maquiagem, surpreende. É através de seu modo de falar, dos trejeitos ao andar e se mover, que percebe-se que a atriz fez um minucioso trabalho de personificação em relação à verdadeira Thatcher. Coisa de perfeccionista mesmo, de buscar o detalhe para ser o mais idêntico possível. Entretanto, trata-se de um trabalho técnico. Extremamente bem feito, mas que não emociona.
A Dama de Ferro é um filme razoável, que compensa o andamento burocrático da história com uma grande atuação de sua protagonista. Destaque também para a crítica implícita às celebridades de hoje em dia, feita no diálogo sobre a mudança de conceitos entre ser famoso por ter feito algo ou alcançar o sucesso simplesmente por ser alguém, sem qualquer mérito.
João Paulo em 16/02/2012
Francisco, gostei da review, mas e a pergunta que não quer calar ela ou Viola Davis ganham o Oscar? Qual a sua opinião.
Eu não assisti aos dois filmes, mas torço para Viola Davis mesmo sabendo que a Meryl Streep está com a mão na taça.
Francisco Russo em 17/02/2012
João, ainda não vi "Histórias Cruzadas" então não posso lhe responder - ainda - quem está melhor.
A atuação da Meryl Streep neste filme é muito boa e, caso leve o Oscar, não será injusto. Mas não considero a melhor atuação dela justamente pela ausência de emoção no papel. De certa forma sua interpretação me lembra bastante a do Colin Firth em "O Discurso do Rei", por ser um trabalho mais técnico.
Luis em 21/02/2012
Eu já vi os dois filmes, e pelo fato do imenso trabalho de Maryl (postura, modo de andar, modo de falar) ela merece o Oscae já Viola rouba muiuto a cena em seu filme, quase desmerece as demais atrises, por esse motivo ela brilha em seu papel, mas Maryl foi melhor em minha opinião, pena que o filme todo quase se resume somente a atuação de Streep. Mas Davis tem imensas chances de ganhar, nao esqueça que ela ganhou o SAG e ultrapassou Michelle Willian e a antiga favorita Gleen Close!
Francisco Russo em 24/02/2012
João, a Viola Davis está bem em "Histórias Cruzadas" mas prefiro a atuação da Meryl Streep justamente pelo perfeccionismo demonstrado na composição da personagem. Não pude ver a Michelle Williams em "Sete Dias com Marilyn", mas entre as demais indicadas ela é minha preferida.
Neo2011 em 17/02/2012
Meryl Streep dispensa comentários, mas a biografada, pelo menos para mim não desperta nenhum interesse, muito pelo contrário!
Otacilio em 17/02/2012
De acordo com a crítica de Francisco Russo, o filme é salvo pela atuação soberba de Meryl Streep, o que é uma injustiça cometida com a grande estadista Margareth Tatcher, a maior primeiro ministro inglês (ou seria primeira ministra inglesa, como prefere a pequena "estadista" brasileira?)depois de Winston Churchil. Este ganhou a guerra contra o nazismo, aquela ganhou a guerra contra a decadência econômica em que se encontrava a Inglaterra depois dos desastres provocados pelos trabalhistas com suas mirabolantes idéias socialistas (e também uma guerrinha contra os arrogantes argentinos). Tatcher foi a escolha certa, no momento certo pois era de uma mulher como ela que a Inglaterra precisava naqueles conturbados dias de guerra fria em que os soviéticos trabalhavam dia e noite para se tornarem sonhores do mundo. O desmoronamento do comunismo tem muito a ver com ela, assim como com Ronald Reagan, presidente norte-americano, também uma escolha certa no momento certo. Formavam um formidável par de gigantes na defesa da democracia e seus valores. Por isto Margareth Tatcher merecia um filme que melhor retratasse quem ela realmente foi. Mesmo assim, vou assistir.
Francisco Russo em 17/02/2012
Otacílio, como disse no próprio texto o filme minimiza toda esta complexidade do contexto da época que você mesmo mostrou logo acima. Acaba sendo uma Margaret Thatcher menor do que ela realmente representou para a época.
marcelo rodrigues em 17/02/2012
Meryl Streep é um nome que está acima de qualquer atriz de sua geração, independente de ter ganhado apenas dois Oscars, por isso, caso ela ganhe será mais do que merecido. Não é fácil realizar um trabalho biográfico e, muitas vezes, um trabalho emocionante não possui o mesmo vigor que um trabalho técnico, bem feito, estudado minuciosamente causa, ou seja,ele impressiona pela qualidade de pesquisa. Os aplausos não devem ser direcionados para aqueles que nos fazem chorar, mas, também, àqueles que se destacam pelo rigor que um ator impõe ao seu personagem e a si mesmo.
Atena Negra em 17/02/2012
Quanto à crítica de Russo, já esperava que o filme fosse assim. Na verdade a única coisa que me move a assisti-lo é a presença de Meryl Streep, que tenho certeza fez mais um trabalho digno de Oscar. Quanto à biografada, Margaret Tatcher foi para a burguesia britânica e internacional aquilo que se esperava, uma primeira-ministra linha dura, mão de ferro e que tomou medidas impopulares à serviço do FMI e da burguesia européia, posando de defensora do famigerado capitalismo contra o "assustador" comunismo. Foi uma "grande" mulher para a burguesia, não para a classe trabalhadora. Tentar humanizá-la no filme é só para esconder isso.
Joel Peixoto em 17/02/2012
Eu adoro-a! É uma das melhores atrizes do mundo! Espero bem que ganhe o Óscar com esta brilhante interpretação!
Otacilio em 18/02/2012
Eu não consigo resistir a certos comentários de pessoas que, por falta de conhecimento dos fatos e da hiostória, bem como da realidade em que vivemos, se acham no direito de rotular uma das mais importantes figuras políticas da era moderda de defensora da burguesia e de estar à serviço do FMI. Eu pergunto a essa senhora Atena Negra: o que você entende por burguesia? Creio que você denomina burguês toda pessoa que conquistou a riqueza material, que sempre é precedida de grande riqueza moral, pois o sucesso depende fundamentalmente de valores morais e culturais conquistados arduamente. E de muito trabalho. Quem fez o progresso da humanidade foram justamente aqueles que você rotula de burgueses. Outra pergunta: por que se formou em publicidade, já que isto é coisa da "burguesia"? Os não burgueses fazem publicidade para enganar trouxas e conquistar seus votos (veja o exemplo do Brasil atual), enquanto os "burgueses" na sua concepção, investem em publicidade para vender seus produtos. O mais interessante é que se fizermos uma análise séria perceberemos que são justamente os "burgueses" que produzem tudo o de que a humanidade precisa. Inclusive os salários dos não "burgueses". Me indique, por gentileza, uma alternativa ao "famigerado capitalismo", senhora Atena Negra. Eu só conheço um: o roubo. É é isto justamente o que os não burgueses do mundo inteiro sempre fizeram, a começar pelos canalhas que implantaram o comunismo na Rússia em 1917 e que terminou por provocar a morte de cerca de cem milhões de pessoas no mundo inteiro. Nem Hitler matou tanta gente. Eu entendo que este é um forum para se discutir cinema, e não ideologias ultrapassadas, mas não resisto a certos comentários de quem não entende a realidade da vida. No Brasil, é chic ser anticapitalismo e antinorteamericanos. Acho que isto é um problema de pobreza mental, de inveja.
Roberto de Paula em 18/02/2012
Vou ter que descordar em um ponto com você, Francisco. Eu achei muito emocionante as cenas da Margaret já velha, extremamente tocantes, principalmente no final.
giovana em 19/02/2012
concordo contigo roberto. as cenas dela já velha são muito emocionantes. E como sempre Meryl Streep está impagável!!!! Não que eu já não soubesse que ela arrasaria, porque para mim, ela sempre será a maior e melhor atriz que ja passou por Hollywood!!!!
Otacilio em 20/02/2012
Bem, agora que já vi o filme, posso dar minha modesta opinião. Francisco Russo foi até generoso em sua análise, pois o filme é simplesmente ruim. Isto para quem vivenciou, como eu, a época que se estende desde a segunda guerra mundial até os dias atuais, com a guerra fria e a ruína do comunismo no meio. O filme não faz justiça nem a Margareth Tatcher, a grande estadista inglesa prestes a completar 87 anos, e nem a Meryl Streep. Não faz justiça a primeira por ser um amontoado de clichês completamente alheios à verdade dos fatos, o que só serve para diminuir a figura da grande estadista. E não faz justiça a Maryl Streep porque o tema poderia ter sido utilizado para dar a ela o maior papel de sua vida caso a intenção fosse a de fazer um filme histórico baseado na verdadeira história da grande dama e de seu país no período em que ela governou e não em reminiscências de uma velhinha saudosista, coisa que ela não é. A Baronesa Margareth Hilda Tatcher aponsentou-se da política com honra e glóoria reservadas apenas aos verdadeiros estadistas, seres excepcionais, como Churchil e Roosevelt que, quando não morrem no poder, passam o resto da vida com a consciência em paz graças a convicção do dever cumprido. Margareth foi a primeira mulher a liderar um partido britânico e a se tornar primeiro-ministro, reeleita para um terceiro mandato, tendo renunciado depois de dez anos e meio no poder por se opor a criação da União Européia. Os fatos hoje em curso lhe dão razão. Sobre o Brasil, ela declarou: " Parece-me bem claro que o Brasil não teve ainda um bom governo, capaz de atuar com base em princípios, na defesa da liberdade, sob o império da lei e com uma administração profissional. Bastaria um período assim, acompanhado da verdadeira liberdade empresarial, para que o país se tornasse realmente próspero".
Por tudo isto, o mérito do filme está apenas na atuação da grande Meryl Streep.
Carmen em 20/02/2012
Tudo já foi dito; uma "condução burocrática e cheia de clichês", disse um crítico, que nem emociona, nem informa com coerência. Roteiro confuso pra quem,como eu, vivenciou os fatos,mas queria recordá-los com crítica e certa ordem.
A única coisa magestosa é o esmero de M.STREEP.
Ela é A DAMA DE OURO do cinema!
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Eu gostei! Aliás eu gostei de todos os filmes do Homem Aranha! Os efeitos ótimos como semp...
por GI123, 29/02/2012 às 02:57
Achei muito bom! A fotografia e as atuações são perfeitas, mas o que eu mais achei intere...
por GI123, 29/02/2012 às 02:45
Ryan Reynolds realmente está ótimo! Com certeza não foi um trabalho fácil, mas ele está...
por GI123, 29/02/2012 às 02:22
Esse filme até que tem um roteiro criativo(para uma situação tão restrita), mas sei lá....
por GI123, 29/02/2012 às 02:17