ex: A Origem
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por Rodrigo Fernandes
Sou um sujeito simples, de modestos pensamentos e que, de fato, não precisa de muita coisa para viver satisfatoriamente bem. Sou praticamente um tufo de capim. Além de água, oxigênio e um pouquinho de luz solar, basta umas besteirinhas para me deixar dócil e satisfeito. Meia dúzia de livros, uns CDs sortidos e uma boa companhia e está tudo resolvido. Badalações, no way. Quando muito, um showzinho de MPB, um teatrinho no fim da noite e uns quadrinhos nas paredes. Cinema, é claro, sempre foi o prato principal desse frugal menu. Por tudo isso, quando sei que mais um cinema bateu as botas, ou melhor, fechou as portas, me resigno e caio na real: daqui a pouco só vai me restar o Faustão e o BBB.
Está mais do que comprovado, reprovado e triprovado que intelectual é chegado num miserê. Toda grande cabeça pensante – seguindo o invejável exemplo dos jogadores de futebol e astros funk – adora alardear suas raízes. Não sendo euzinho nem intelectual, nem boleiro e muito menos um pegador de popozudas, aviso logo que, apesar de ser filhote legítimo dos subúrbios cariocas, não acho isso lá grande vantagem. Porém, viver longe da civilização foi fundamental para minha persona cinéfila. Num universo onde a praia era distante e perigosa, a noite não era convidativa e as mulheres ainda não eram essa obsessão toda, ir ao cinema era o que restava. E era um passeio tão marcante que minha mais antiga lembrança – aquela quando a gente chega à terrível conclusão de que existe, em algum nível – é estar dentro de uma sala escura assistindo E.T. - O Extraterrestre. Tem gente que acha ótimo ter lido Clarice Lispector aos oito anos, ouvido Bach aos dez e assistido Woody Allen aos doze. Eu não. Cresci ouvindo os rocks do Scorpions e lendo os livrinhos da coleção Vaga-Lume. Cinema não era uma escolha, porque escolha não havia, era destino mesmo. O melhor dos mundos.
Pois é, todos os cinemas da minha infância já partiram para a terra dos pés juntos. Ou viraram igrejas ou simplesmente desceram as portas sem choro nem vela. O que ficou? Cinemas de shopping center, essa coisa sórdida que a gente sabe como é. Até o hábito de ir a uma sessão mudou terrivelmente. Não há mais respeito pela obra de arte que é um filme. Ir ao cinema virou um passeio de piquenique. Já vi de tudo, absolutamente de tudo dentro de uma sala cinema. Coisas que deixariam a Galeria Alasca com jeito de colégio de freiras. Será que estou sendo suficientemente chato? Com certeza. Mas alguém tem de fazer o trabalho sujo de abrir o bocão.
* * *
Não é preciso ser nenhuma Míriam Leitão para se saber que cinema não dá esse lucro todo. Arte nenhuma dá. Quem ganha mais, a Ricardo Eletro ou o grupo Severiano Ribeiro? As Casas Bahia ou o Grupo Odeon? Mas algo deve ser feito. É preciso, pre-ci-so, revitalizar tanto os cinemas tradicionais, salvando os que ainda estão em atividade, quanto formar uma plateia consciente e não essa horda de hunos. É a única forma de se manter algum nível. Salvam-se teatros históricos e o público das peças é reconhecidamente interessado. Por que não fazer o mesmo com o cinema?
Para isso o Estado pode dar um incentivo e diminuir os impostos, os exibidores devem superar as picuinhas e se unirem num panelaço, as escolas públicas precisam começar a ensinar às crianças a importância dessa coisa chamada arte. Sei lá, mil coisas. Mas não, valorizar essa coisa chamada cultura é assinar o atestado de pobreza, de burrice. E por mais que eu exagere a situação (e não exagero) o caminho da cultura nesse país tropical é esse: ladeira abaixo.
Num fim de semana desses fui procurar a programação de um cinema e... Uai, cadê? Fui olhar na internet e... Nada... Liguei pro shopping e tuim, tuim, tuim. Não me fiz de rogado e fui lá. Simplesmente fecharam as quatro salas. O motivo? Elas não estavam mais se mantendo, faliram fragorosamente. Procurem se ligar nos fatos. Não estou falando de um cinema qualquer num mocó de mundo qualquer. Isso aconteceu na Capital da República. Quando um cinema fali no centro do centro da nação, é um sinal bem claro de que alguma coisa está bem errada.
Eu gostei! Aliás eu gostei de todos os filmes do Homem Aranha! Os efeitos ótimos como semp...
por GI123, 29/02/2012 às 02:57
Achei muito bom! A fotografia e as atuações são perfeitas, mas o que eu mais achei intere...
por GI123, 29/02/2012 às 02:45
Ryan Reynolds realmente está ótimo! Com certeza não foi um trabalho fácil, mas ele está...
por GI123, 29/02/2012 às 02:22
Esse filme até que tem um roteiro criativo(para uma situação tão restrita), mas sei lá....
por GI123, 29/02/2012 às 02:17