Diários Cinéfilos

Bastardos Inglórios por Roberto Cunha

Tarantino, esse bastardo.
14/10/2009 15

Texto de Rodrigo Fernandes

Alguns episódios da história são tidos como quase intocáveis. Assuntos difíceis de serem transpostos para tela grande. A II Guerra Mundial talvez seja dos mais complicados, um autêntico vespeiro. Patrulhas ideológicas estão sempre prontas a cobrar a exatidão histórica quase sempre seguida pelos realizadores.

Fugir da historiografia oficial não é fácil. As raras exceções sempre causam barulho – como A Vida é Bela, suspeito de minimizar a tragédia suprema do holocausto ou o clássico chapliniano "O Grande Ditador", acusado de brincar com coisa séria. Blindado por sua fama de gênio, Quentin Tarantino não só reescreve o pathos do grande conflito – os mocinhos aliados contra os malvados nazistas – como inverte os papéis espetacularmente.

No filme, Brad Pitt (com os trejeitos de sempre e mais carismático que nunca) lidera um pequeno grupo de soldados chamados Bastardos. A missão dos caras é de uma simplicidade franciscana: matar quantos chucrutes for possível, de preferência com requintes de crueldade. Os caras são tão perversos que os nazistas parecem vítimas indefesas. A cena em que um oficial alemão é espancado por um taco de beisebol manejado pelo insano Eli Roth, o Urso Judeu, é apavorante e já nasce clássica. Os personagens são todos excêntricos e superficiais. Os diálogos – às vezes longuíssimos – beiram o nonsense. O sangue aos tonéis, os tiroteios coreografados à moda de Hong Kong e o roteiro absurdo, fazem da fita um delírio em technicolor.

Bastardos Inglórios não pretende ser uma reflexão sobre a natureza do bem e do mal, ou um olhar crítico sobre o que foi a loucura do conflito. O Resgate do Soldado Ryan, A Lista de Schindler e Além da Linha Vermelha, entre outros filmes sérios, já fizeram isso muito bem. O filme é pura diversão cruel e irresponsável. Todos são movidos pela lei de talião: olho por olho. Se os nazistas são maus, é hora de dar o troco na mesma medida, e dão mesmo. As cenas são fortes o bastante para incomodar os espíritos mais sensíveis. Sem qualquer compromisso com os direitos humanos (ou com a verdade histórica), o diretor nos dá aquilo que muita gente sempre desejou fazer, mas nunca teve chance, ou seja, detonar os nazistas sem piedade. A alta cúpula do governo alemão incluída, com Hitler e tudo.

Mescla da ultraviolência de Cães de Aluguel com clima camp de Kill Bill, Bastardos Inglórios torna-se uma síntese de tudo que Tarantino fez até aqui. Certamente é seu filme mais seguro e bem acabado, mostra o diretor no auge de sua forma criadora. Vendo a fita não é nenhum exagero afirmar que o cineasta criou um estilo absolutamente particular. O cinema-exagero. Milimetricamente orquestrado para pairar dois metros acima de qualquer gênero. E absolutamente delicioso.

Comentários

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Tiago em 14/10/2009

Uma obra prima. A atuação dos atores (as caras, os trejeitos, as expressões) e a cena do taco de beisebol já fazem parte da história do cinema mundial. Impressionante como todos os atores se  destacam. Geralmente os dialogos longos são cansativos, mas em bastardos inglorios a minha vontade é que se prolongassem. O filme ainda faz rir. Por varias vezes o "cinema riu" longamente ao ponto de deixarmos de acompanhar a legenda. Incrível.

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BIANCA GARCIA em 28/10/2009

Sem sombra de dúvidas, é um filme muito bem feito, excelente!


=)

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Nara Giannelli em 27/11/2009

Na mosca, Rodrigo!

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Luiz Henrique em 26/12/2009

Um excelente filme. Apresenta sequências memoráveis como, por exemplo, a do trio liderado por Brad Pitt tentando se passar e falar como italianos. Um roteiro inteligente e corajoso. Realmente não deixa de ser gratificante ver os nazistas amendrontados. A cena do diálogo inicial em que um oficial nazista convence um morador rural a indicar onde uma família judia está escondida é magistral. Magnífica a tensão criada no desenrolar da cena. E o ator que faz o papel deste oficial nazista tb é um achado.


Excelente filme****

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Isabella Rogatschenko em 06/02/2010

Para este filme, é necessário urgentemente inventar uma nova categoria p/ classificá-lo! Excelente!

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ThaCarol em 10/02/2010

Estou lendo tudo e mais um pouco o que tem-se falado por aí desse filme....


A minha maior curiosidade é quanto aquelas aparições de "coisas" extremamente toscas no filme, tais como: setinha com o nome do personagem, uma espécie de janela que se abre para ver que os bastardos escondiam bomba por debaixo da roupa.... (aproximam-se de "coisa" de desenho animado), gostaria de saber também qual seria a intenção quando Tarantino uso letras com fontes de "filme para pré-adolescente".


Deixo claro, claríssimo, que o filme é espetacular, um dos melhores que já assisti e tenho certeza que esses elementos mencionados acima colaboraram para essa obra prima favoravelmente. Porém minha ignorância não conseguiu entender o porquê.


 

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Rodrigo Fernandes em 13/02/2010

Pois é. Tarantino se arrisca em colocar essas "coisas" (sic.) em seu filme. Mas todos os bons diretores são assim, arriscam." Às vezes dá errado, aí o negócio fica kitch, trash. Porém, quando dá certo faz o establishment da sétima arte avançar para outro nível. É bom lembrar que os primeiros cineastas que ousaram fazer filmes falados foram detonados, pois se achava que o som mataria a arte cinematográfica.

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Guiga em 24/05/2010

é algumas trilhas so foram feitas pelo MELHOR compositor do cinema, Ennio Morricone

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Kenny Smash em 15/06/2011

Nossa, Critica perfeita, não poderia explicar melhor, o humor negro e a violência é um dos pontos altos do filme, cheguei a rir pq o nazista levou uma tacada de Beisebol na cabeça. rsrs Filmaço nota 8.0.

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Pablo Ricardo em 22/06/2011

Um grande filme, com atuações perfeitas, não mostra a crueldade do holocausto,trata da segunda guerra de uma maneira diferente. Excelente.

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kim em 07/07/2011

Só a primeira cena já vale o ingresso!!!!
"Au Revoir, Shoshanna!"

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Flor de Lotus em 13/07/2011

Obra prima! Magnífico. Me apaixonei por este filme. Ainda mais pelo Urso Judeu e seu olhar penetrante!!!!
Entrou com certeza para minha lista de preferidos.
O elenco está de parabéns pelas atuações. Tudo perfeito!

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Fred Cachorrão em 27/11/2011

Critica precisa e que descreve fielmente a ideia do filme. DETONAR OS NAZISTAS SEM DÓ NEM PIEDADE.

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moreiraum em 17/12/2011

Esse filme e quase perfeito!



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