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Bonequinha de Luxo - O Filme por

27/02/2009 4
ainda quero ser eu mesma quando acordar numa bela manhã para tomar café da manhã na Tiffany's Uma garota, talvez triste, talvez pensativa, canta na sacada de sua janela uma música melancólica, porém bela. A música fala sobre o Rio da Lua (Moon river) e já havia sido instrumentada no início, quando ela, sozinha, caminhava pelas ruas vazias da cidade. Parava em frente a Tiffany's, famosa loja de jóias. Cabelos presos, vestido longo e negro, colar de pérolas, copo numa mão, croissant em outra, olhar vago para a vitrine tão rica: a sensação de que somente aquele local poderia transportar-lhe para o paraíso e fazê-la esquecer-se dos seus momentos mais angustiantes. A garota é Holly Golightly, a atriz, Audrey Hepburn, e o filme, Bonequinha de Luxo, baseado na obra de Truman Capote. Ao escrever o romance, Truman tinha em vista Marilyn Monroe, que parecia perfeita para o papel principal: Holly poderia ter a inocência de um bebê ao mesmo tempo em que servia como acompanhante de luxo, podia inebriar-se de whisky em festas ou chorar a perda de seu gato em meio à chuva. Uma mulher densa e complexa, talvez de aparência vazia mas de um sentimentalismo beirando os limites da razão. Ao invés de mandarem-lhe a loira, uma morena, de olhos grandes e aparência delicada foi escalada para ser a Holly. Truman parecia não acreditar. O nome de Audrey Hepburn foi sugerido e o diretor Blake Edwards teria que trabalhar muito para obter um bom resultado, haja vista que a atriz nunca interpretara uma mulher de tamanha ousadia. Ela aceitou o desafio, e passou para a história como a Bonequinha de Luxo. Holly é uma mulher jovem, que mora sozinha em Nova York, e deseja mudar de vida, casando-se com um milionário. Enquanto não consegue, passa seus dias a imaginar como será seu futuro, e sonhando em frente à Loja Tiffany's. Conhece um jovem escritor sem talento e frustrado. Holly e Paul Varjak tornam-se amigos e juntos enfrentam momentos de solidão, juntos. Mickey Rooney, famoso sobretudo em seus alegres e dançantes filmes da década de 40 (Babes in Arms, Babes on Broadway), aparece na pele de um chinês (?) que sobra em tela, causando mais vergonha alheia do que vontade de rir, como era suposta ser a intenção. Além disso um roteiro tão leve escrito por Truman já previa cenas com um toque de humor, tornando-se totalmente desnecessária a presença do ator em cena. E lá se vão quase cinquenta anos desde que o filme foi lançado, em 1961. Bonequinha ganhou 2 Oscars (Melhor Trilha Sonora e Canção Original, com Moon River), sendo ainda indicado para Melhor Atriz, Roteiro Adaptado e Direção de Arte. Mesmo assim, Truman Capote nunca engoliu o fato da escolha da atriz ter caído sobre Audrey. A grosso modo, não é uma grande história. É até simplória, de pessoas que apenas desejam vencer na vida, seja sendo gigolô, no caso dele, ou acompanhante de "tiozinhos" e "aviõezinhos" de traficantes, no caso dela. Duas faces de uma mesma laranja. Talvez podre. O fato é que, emprestando um ar de sofisticação à personagem, Audrey tirou-a da vulgarização, que seria inevitável em uma interpretação e gesticulações exageradas, tornando Holly em uma doce e amável criatura, apesar de tudo. Tudo que fica nas entrelinhas.

Comentários

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Antonio de Paula Rocha Lima em 18/08/2010

A interpretação de Audrey Hepburn é cativante e encantadora num papel que não lhe cairia bem. Uma vez que ela dotada de extrema elegância poderia destoar vivendo uma garota de programa. Mas Audrey Hepburn dotada de muito talento venceu o desafio. O que destoa mesmo é a participação de Mickey Rooney vivendo um chinês muito chato e sem graça, o vizinho da Bonequinha. Mas em minha opinião, este filme só entrou mesmo para a história, por causa da memorável trilha sonora composta pelo genial Henry Mancini. Moon Rivel é uma lindíssima canção que se ouve na forma instrumental na cena inicial que dá título ao filme (O café da manhã em frente da Tiffany's). No decorrer do filme ele é ouvida outras vezes, inclusive interpretada ao violão por Audrey Hepburn. Confesso que foi o maior impacto que senti na minha vida ao assistir a cena de abertura do filme ao som de Moon River. Infelizmente, a música popular produzida nos dias atuais, desceu a níveis inacreditáveis. Nunca mais se ouviu uma música tão linda como Moon River.  

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Preta em 09/11/2010

Concordo com você: a trilha sonora é responsável por talvez 70% da qualidade percebida nesse filme. A música na verdade ajuda bastante a composição da personagem da Audrey, reforçando a sofisticação, delicadeza e profundidade da personagem. A beleza  da atriz e o figurino fazem o resto, já que os demais personagens ( e a própria estória ) empalideceram.

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Antonio de Paula Rocha Lima em 09/11/2010

Preta, muito prazer.


Eu fico muito feliz em encontrar alguém como você que também demonstra ter bom gosto musical, coisa rara nos dias atuais.


Em tempos de funks, axés e pagodes, saber que ainda existe uma pessoa que aprecie o genial Henry Mancini ao som da linda Moon River é motivo até de euforia.


Agora, quanto ao fato dos demais personagens e da própria história terem perdido o brilho, isto se deve ao fato de que Blake Edwards resolveu aliviar o conteúdo do texto de Truman Capote que era bastante contundente.


Certamente porque o papel principal foi para Audrey Hepburn, caso fosse interpretado por Marilyn Monroe, provavelmente o roteiro do filme seria mais fiel a obra de Truman Capote.


 

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mila em 30/08/2011

adoro a música moon river na voz de audrey hepburn, a pesar da crítica de capote sobre a escolha dela para interpretar a penosagem, acho que ela deu leveza ao papel fazendo com que nos identifiquemos com a personagem se o tema fosse abordado de outra forma o romance no filme nao seria mais tao suave e de certa forma inocente, um filme que pode ser assistido por todos, sem censuras.



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