Clássicos e Cults

Julgamento em Nuremberg por Roberto Cunha

18/12/2009 5

Texto de CARLA MARINHO

Um filme para quem gosta de dramas de tribunais, e para quem ama história. Sob a direção de Stanley Kramer, é um filme pesado. Pesado como seu próprio enredo indica. Prepare-se para sentar e esperar defesas magistrais de ambas as partes. Prepare-se para a dúvida: seria um homem condenado pelas atrocidades que fez em nome do amor à pátria?

O filme retrata o ano de 1948, quando o juiz americano Dan Haywood terá que julgar quatro juízes por crimes cometidos durante o nazismo. Ouvindo testemunhas do caso, como Rudoph Petersen (Montgomery Clift), que foi esterilizado por ser considerado uma pessoa mentalmente incapaz; Irene Hoffman (Judy Garland), testemunha de um caso anterior, em que seu amigo e mentor judeu foi condenado a morte, por supostamente ter tido relações sexuais com a própria. O advogado de defesa, Has Rolfe (Maximilian Schell) retruca cada uma delas com uma defesa brilhante, calcada na lógica dos acontecimentos. Para ele, a condenação dos juízes seria uma injustiça, pois os mesmos somente cumpriam o que a lei determinasse, e traidor seria aquele que naquele momento, fugiria às suas obrigações com o povo alemão.

Tad Lawson (Richard Widmark), o advogado de acusação, basea-se na emoção que os efeitos do nazismo traziam para o mundo: mostra cenas de um filme (reais), chama a atenção para as atrocidades cometidas não a um povo, mas ao mundo, relata que cada um deverá responder por seus atos. Uma situação difícil para o juiz Haywood, que fez amizade com Madame Bertholt (Marlene Dietrich), uma viúva de um condenado.

As interpretações são algo assombrosas, o que não seria surpresa com o elenco trazido: Spencer TracyBurt LancasterRichard Widmark, Marlene Dietrich, Maximilian Schell, Judy Garland, Montgomery Clift. Basta lembrar que três deles concorreram ao Oscar (Spencer Tracy, Montgomery Clift e Judy Garland), e um deles ganhou. Dizer que Spencer Tracy traz uma das suas melhores performances seria tão certo quanto falar que Maximilian Schell, que abocanhou o Oscar de melhor ator pelo filme, está perfeito como o advogado que quase prova por A + B que o nazismo não era tão mal como se propagavam, e que a condenação dos juízes seria também a do povo alemão. Schell, ator australiano, já participara de Os Deuses Vencidos. Lembrando que Julgamento em Nuremberg foi apenas seu segundo filme.

Montgomery Clift, tentando ressuscitar depois problemas pessoais (sofrera um acidente que deformou seu rosto e deixou-o paralizado), faria uma participação emocionante: mãos tremendo, a ativez de sua face, talhada pelo acidente, ajudando sobretudo nas maneiras de seu personagem. Suas falas foram repetidas diversas vezes, devido a sua dificuldade de decorar os textos, também consequência do que sofrera. Isso não impediu que ele, com sua curta participação no filme de 186 min fosse indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante daquele ano. Marlene Dietrich não se sentiu muito a vontade, ao relembrar fatos de sua própria história, já que ela mesma trabalhava contra os nazistas, que no filme ela defende. Judy Garland fazia mais um de seus constantes retornos, sete anos após perder o Oscar em "Nasce uma Estrela".

Mas o maior ponto do filme não são suas interpretações ou a direção sublime de Stanley Kramer. É o roteiro de Abby Mann, que desenrola-se tão perfeito que nós, espectadores, assistimos a tudo passíveis a emoções de ambas as defesas. Quando nos convencemos do que uma parte diz, logo chega a outra e toma-nos a razão, deixando-nos em dúvida. Isso não é comum. Não nos filmes americanos, tão acostumados com o radicalismo impresso em vilões e mocinhos. Um caso raro em um país tão conscio de poder e tão patriótico a ponto de achar que é o único dono da verdade. Tudo bem que o final não surpreende, mas já é uma grande tirada. Abby Mann levou o prêmio da Academia por seu roteiro. Nós ganhamos um filme espetacular, testemunha de uma época, e sobretudo retrato muito bem adaptado de uma parte sombria de nossa história.

Comentários

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Cilânia em 08/01/2010

Esse filme deve ser maravilhoso, não vou perder!!!!!

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JOSÉ RAIMUNDO SOUZA DE JESUS em 20/02/2010

Assisti a este filme a muitos anos atrás ainda em video cassete, para quem ainda não assistiu, vale a pena desde que goste de filmes de tribunal e goste de historia.


Imperdivel.


 

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Moyses Ferreira em 01/01/2011

Quase morro de tanto rir quando vejo Judy Garland, gorda e chorando muito!!!! Filme Perfeito! 

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Jozelia Regina Segabinazzi em 03/01/2011

É um clássico e imperdível. Vou assisti-lo depois de mais de 25 anos!

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augusto em 07/07/2011

apenas um reparo: o ator maximilan schell é austríaco e não australiano.



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