ex: A Origem
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Existem filmes que fazem enorme sucesso com a crítica, mas não junto ao público. Isso não significa que um dos lados esteja errado, mas que existem maneiras diferentes de se perceber uma obra. Quando pipocaram indicações, prêmios e muito blábláblá sobre O Artista, parecia ser ele mais um para dividir opiniões. Se acontecer, porém, não será pelo fato de ser "cabeçudo" demais ou popularesco. Na verdade, sua sutileza e simplicidade o fazem interessante e, talvez, seja essa a razão do encantamento que tem gerado.
Na história, George Valentin (Jean Dujardin) é um astro do cinema mudo. Veterano, engraçado e extremamente vaidoso, tem certeza de que as pessoas sentam nas salas escuras para vê-lo e não o filme. Quando a indústria cinematográfica vira os olhos (e os ouvidos) para o cinema falado, sua vida vira do avesso. Tudo porque a jovem atriz Peppy Miller (Bérénice Bejo), que ele iniciou e por quem se apaixonou, torna-se uma estrela requisitada e rica. Teimoso, resolve bancar uma produção muda para provar sua teoria, porém o som e a ausência dele, foram implacáveis. Em decadência, o artista precisa rever seus conceitos, mas o orgulho o impede de entender que o tempo não para.
Escrito e dirigido por Michel Hazanavicius (Agente 117), lindamente filmado em preto e banco e (quase) mudo, o longa recebeu 10 indicações ao Oscar. A viagem no tempo tem bilhete garantido já nos créditos iniciais de visual totalmente retrô. Repleto de bom humor, flerta com a metalinguagem no início, de modo sui generis, com o protagonista rodando cena de um filme onde, sob tortura, se recusa a falar. Daí em diante, as sacadas do roteiro tornam-se uma constante, culminando em uma cena bacana em que o som invade - brevemente - a narrativa.
Com poucos diálogos (lidos na tela), são as imagens que envolvem você na trama simples e atual. Bem elaboradas, ela revelam um gracioso "duelo de pernas" no set de filmagens ou Peppy contracenando deliciosamente com um cabide. Mas é no singular encontro do casal em uma escada num momento transitório das respectivas carreiras, que se toca no cerne da questão. Com pessoas andando, para cima e para baixo sem parar, numa clara alusão ao fluxo da vida, você verá que nessa e em outras escadas do filme, ele só desce e ela está sempre subindo.
Explorando o eterno conflito entre o velho e novo, não faltarão citações de Cinderela e James Bond, entre outras. Sem efeitos especiais, cenas ímpares são ornamentadas pela boa trilha sonora (quase falante), como a que acontece quando George encontra-se novamente "refém" dos próprios filmes em um incêndio.
No elenco, o auxílio luxuoso de John Goodman, James Cromwell, Penelope Ann Miller e Uggie, que fez a maioria das cenas caninas. Tudo para ajudar a tornar arrebatadora essa história de um homem atormentado pelo som e que precisa encarar a própria sombra. Só não esqueça de guardar fôlego para a sequência final, pois como "dirá" o emblemático personagem Zimmer (Goodman): "Perfeito!".
Atena Negra em 10/02/2012
Roberto Cunha, voc~e quase me fez chorar lendo essa crítica(isso nunca tinha me acontecido).Agora, vou ter que ir correndo ao cinema não só por isso, mas também para constatar as semelhanças que alguns dizem existir entre O Artista e Cantando na Chuva, meu musical favorito com o grande Gene Kelly e que também retrata a passagem do cinema mudo para o falado. De qualquer forma, obrigado.
stefanojosef em 10/02/2012
Excelente crítica Roberto!! Foi o suficiente pra me deixar ainda mais ansioso pra assistir esse filme, parece genial.Acha q ele leva no Oscar melhor filme e melhor diretor?
Roberto Cunha em 11/02/2012
Obrigado. Melhor ainda será se você curtir o filme. Sobre o Oscar, olha, tem condições de ser um papa estatueta: filme, diretor, ator, roteiro, trilha, figurino, edição etc. As indicações foram merecidas. Resta saber se farão um divisão delas com outros candidatos fortes em determinadas categorias.
Letícia em 10/02/2012
Fantástica crítica...assisti semana passada e adorei, só havia achado o roteiro meio pobrinho, mas depois de ler esse linha específica "Com poucos diálogos (lidos na tela), são as imagens que envolvem você na trama simples e atual. Bem elaboradas (...)", eu percebi a simples e deliciosa essência desse filme! Mais do que recomendado, espero que leve no que falta da temporada de premiações (bafta&oscar)!
Roberto Cunha em 11/02/2012
Atena e Letícia, legal saber que vcs curtiram o texto. O filme é muito bacana mesmo e merecedor das indicações que recebeu. Agora é esperar para ver o que acontece. Boas sessões! ;-)
rosalia em 11/02/2012
Concordo em genêro e número com a sua crítica, o filme é de 1 sutileza admirável, em um mundo de tanto barulho, tantos "efeitos sonoros", a "mudez" do filme é cativante. Adorei.
João Paulo em 11/02/2012
Adorei a review Roberto, já estava ansioso desde de que vi o trailer dele final do ano passado. Aqui no cinema da minha cidade adiaram a estréia, talvez só consiga ver em dvd, mas não tenho dúvidas que academia vai consagrar o filme, eu não acho que irão cometer o erro de destruir os prêmios.
PINGUINNANET em 12/02/2012
Assistir o filme "O Artista" é uma experiência única pelo fato de eu ser da geração do cinema falado e colorido. Só tenho uma dúvida: com os estúdios trabalhando com imagens em 3D e os efeitos sonoros atingirem quase a perfeição não seria "andar para trás" premirar um filme mudo e em preto e branco em pleno seclo 21 ??
PS: adorei o filme
Roberto Cunha em 12/02/2012
Na verdade, a academia não premia o investimento financeiro nisso ou naquilo. O 3D vai continuar e virão outros coisas na seara tecnológica, mas um filme não precisa de nada disso para ser indicado. Foi o que aconteceu e, espero, sempre acontecerá. O que vale é ser um bom filme digno de ser premiado. Bom saber que vc gostou do filme. ;-)
Charles Freitas em 13/02/2012
Roberto obrigado pela critica, muito boa mesmo. Passei a entender melhor o filme depois dela, adorei O Artista e estou torcendo por ele, principalmente porque não gostei nem um pouco do principal concorrente de O Artista, A Invenção de Hugo Cabret.
Acho que a grande lição do filme é que mesmo sem tantos recursos tecnológicos dar para se fazer uma obra prima como essa.
Roberto Cunha em 15/02/2012
Legal saber que o texto o ajudou a entender mais! E concordo com sua opinião: prefiro este ao filme de Scorcese, embora seja fã dele e ambos tenham feito uma grande homenagem ao cinema de uma maneira geral. O páreo é duro. Obrigado pela participação! ;-)
andreluizgf em 14/02/2012
A premissa dessa história lembra muito a de "Crepúsculo dos Deuses". Talvez tenha sido a inspiração do roteiro, até vou pesquisar mais a respeito. No mais, deve ser um filme excelente. Vamos ver para crer!
Kenny Smash em 14/02/2012
Desde que vi esse filme eu soube que iria ser um dos grandes concorrentes ao oscar, e por mim deve ganhar, uma palavra expressa esse filme: Simplicidade, é tão simples que quando assistimos ficamos colados na tela mesmo sendo mudo e preto e braco, vou torcer também pro Jean e Bérénice ganhem nas suas respectivas categorias no oscar. recomendo muito a verem, e não fiquem com um pé atrás por ser mudo e preto e branco pq isso engana pois o filme não deixa de ser espetacular em nenhum momento, bela critica, expressou tudo o que eu pensei vendo esse filme. :D
Kelly Negreiros em 15/02/2012
Essa obra cinematográfica prova que é impossível não reagir a uma imagem. O poder desta sobre nós é feroz, e nos torna (desde que os deixemos envolver pela sensação) verdadeiros analistas. Merece o maior prêmio: que todos ao assistí-la reflitam sobre a própria imagem, o ego, e, enfim, sobre a complexidade que há na simplicidade.
stefanojosef em 16/02/2012
Acabei de assistir o filme e recomendo à todos!! É uma obra de arte, um dos melhores filmes que eu já vi, é todo o que está descrito na crítica e muito mais, grande favorito desse ano!!
Tanialu em 19/02/2012
Realmente adorei o filme, assim como gostei da crítica bem referenciada ... é um atrevimento gostoso ver nos dias de hoje, entre tecnologias e animações de última geração, um filme realizado em preto e branco, com pouquíssimas falas, mas com um saudosismo e uma história enorme à nossa frente ... de Chaplin à Fred Astaire, tudo foi motivo de emoção, de retorno às raízes do cinema/arte, da saudade extrema ... mais do que recomendo, também aposto em sua premiação máxima no Oscar deste ano!
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Eu gostei! Aliás eu gostei de todos os filmes do Homem Aranha! Os efeitos ótimos como semp...
por GI123, 29/02/2012 às 02:57
Achei muito bom! A fotografia e as atuações são perfeitas, mas o que eu mais achei intere...
por GI123, 29/02/2012 às 02:45
Ryan Reynolds realmente está ótimo! Com certeza não foi um trabalho fácil, mas ele está...
por GI123, 29/02/2012 às 02:22
Esse filme até que tem um roteiro criativo(para uma situação tão restrita), mas sei lá....
por GI123, 29/02/2012 às 02:17