ex: A Origem
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Li no noticiário que Oliver Stone anda tendo problemas pra distribuir seu novo filme, South of the Border. Não é para menos, trata-se de um documentário que fala (na verdade acende uma caixa de incenso) do governo do presidente venezuelano Hugo Chávez e outras figurinhas políticas do cone sul, Lula da Silva, incluído. Resumindo a ópera, Stone andou por sete países tomando cafezinho com seus líderes – com o boliviano Evo Moralez, o diretor gringo chegou a bater (bem mal) uma bolinha – e gravou tudo para a posteridade. Segundo ele estes presidentes merecem a moral, já que, diferente do resto do mundo, não dão mole para os EUA. Pra quem não sabe Stone já nasceu do contra. Não sei de muita coisa dessas coisas de política internacional, confesso que na faculdade a matéria nunca foi o meu forte e que até hoje procuro a nação do Islã no mapa mundi e não encontro, pagando inclusive uma vez o mico gigante de achar que os muçulmanos moravam todos na Islândia e alardear isso para quem queria ouvir. Assumida minha tonteira, digo algo de que tenho certeza absoluta: Oliver Stone anda fumando maconha demais.
A birutice do gringo é plenamente justificável. É claro que o diretor americano já foi relevante no cenário cinematográfico. Stone fez uma série de produções com alto teor de pólvora e que, se não eram nenhuma obra prima pré-rafaelita, traziam incontestáveis méritos estéticos e narrativos. Mesmo quem não bate com o santo do diretor há de concordar que filmes como Salvador - O Martírio de um Povo, Talk Radio, Platoon, Wall Street, Nascido em 4 de Julho, JFK - A Pergunta que Não Quer Calar e The Doors são relevantes e fizeram um barulho saudável. Mas isso era antes de nomes como Michael Moore, Morgan Spurlock , e, por que não, Sacha Baron Cohen, tratarem de temas igualmente espinhosos com duas armas bem mais penetrantes que o revisionismo: a ironia e o deboche. Sem muitos dos inimigos que lhe serviam de alvo – sobretudo os republicanos, parcialmente derrotados por Obama – o cinema de Oliver Stone brochou fragorosamente.
Pelas patacadas que andou cometendo nos últimos anos percebe-se que Oliver de fato perdeu o prumo e virou uma espécie de Lobão cinematográfico. O controverso roqueiro que vive das músicas do milênio passado e de falar mal dos outros. De fato, Stone entrou numa trip no mínimo estranha. Puxou o saco de Fidel Castro em Comandante, promoveu um baile gay-carnavalesco em Alexandre. Cometeu o chatíssimo As Torres Gêmeas e quando poderia voltar a ser o franco atirador de sempre em W... Bem... vejam o filme. E durmam.
Para pagar as contas e tentar alguma volta por cima o cineasta sacou da manga uma continuação de Wall Street, que em breve aporta nos cinemas e que pra mim não passa de mais um tiro no próprio pé. Ainda que consiga algum sucesso, é praticamente impossível recuperar a moral de outrora, ainda mais produzindo filmes propaganda para Chávez e Cia. Stone tenta, mas não consegue ser convencional (vide o bem intencionado, porém equivocado, Reviravolta) e tem que se lambuzar na polêmica de qualquer forma. Nem que seja à custa de um ditador folclórico. Se por um lado os veteraníssimos Eastwood e Scorsese surpreendem a cada filme, o cinema de Oliver Stone há muito tempo precisa tomar uma caracu com gemada de ovo ou um Biotônico Fontoura.
Meu Deus – dirão os mais observadores – como esse rapaz é chato. Sem querer tirar a razão de quem a tem e me acha um chatonildo, firmo que meu lamento é por que sempre gostei do “velho” Stone. É triste ver o homem perdido em delírios psicóticos. Esse negócio dos egos dos artistas é complicado mesmo. O sujeito se afunda e nem percebe.
daltonmarques em 16/04/2010
Sempe quis comentar seus dizeres opinativos, caro Rodrigo Fernandes. Não sou novo no acompanhamento do melhor site sobre cinema do Brasil (tampouco da sua coluna), mas resolvi me cadastrar exclusivamente para discutir (sempre no sentido democrático da palavra) seus rispidos e hilariantes textos (dotados de muita inteligência e bom senso, sejá lá o que isso signifique) sobre o baum e véio (nem tão velho assim) cinema. Gosto do Tio Stone, mas concordo que ele anda se enveredando pelas capenguices da pretensão politizada. Ruim pra gente que perde um grande autor e ganha mais um chato sem foco. I'll be around!
Rodrigo Fernandes em 16/04/2010
Sê bem vindo Dalton. Antes de mais nada agradeço a preferência, volte sempre, a casa agaradece. Quanto ao Olívio Rocha aí, bem, o cara está muito doido, não dá pra entender as bizarrices que anda fazendo. Por certo anda abusando de alguma erva ruim que ele guarda desde que era um navy boy nas selvas do Vietnam. Bração!
Eduardo Loyola em 16/04/2010
Não acho que Stone tenha enferrujado não. Creio que o que mudou foram os tempos e o prórpio cinema. Acho que ele foi mais venenoso quando foi necessário.
BIANCA GARCIA em 17/04/2010
Sou toda orgulho quando leio os comentários elogiosos por aqui sobre seus textos, até porque eu mesma os faço sempre, em primeiríssima mão. Beijo meu.
sergio ribeiro em 19/04/2010
Eu já achei os comentários bem bobos e gostaria de saber mais sobre o filme. Nem todo mundo no mundo da internet concorda com veja e quetais, que acham Chavez a encarnação do demônio. Há quem o ache realmente uma alternativa democrática. Da minha parte não acho nem santo nem demônio, apenas mais um demagogo populista da América Latina. Acho que era melhor saber o que Stone fez antes de dar pedrada - o crítico parece alguém que fala mal sem ver o filme, o que é lamentável. Concordo que Stone não é mais aquele e sempre foi meio maniqueísta, mas realmente dirigia muito bem seus filmes. Torres Gêmeas é um lixo e é até estranho à sua filmografia - parece filme de republicano.
Rodrigo Fernandes em 20/04/2010
Caríssimo Sérgio,
Creio que você está confundindo as bolas. Primeiro por que a crítica em questão não trata de Hugo Chávez, fora uma breve citação que diz o óbvio (sim, Chávez é um ditador. E sim, ele é folclórico, muito)não se entra em mérito algum sobre sua augustíssima pessoa.
Para você ter uma idéia da minha correção, eu nem cito que ele, Chávez,andou alardeando que os Estados Unidos inventou uma máquina de fazer terremotos e a testou no Haiti! Só isso - uma patacada nonsense digna de um Ed Wood - já valeria uma crônica sobre como o poder pode provocar sérios problemas de botulismo mental nas pessoas. Mas, como disse, prefiro deixar Chávez pra lá, cada Venezuela tem o comandante que merece.
Por outro lado também nada comentei sobre o novo filme de Stone (por favor, por caridade, releia o texto aí em cima), sendo o mesmo sobre a decadência do diretor. Decadência essa que só não enxerga quem não quer. Por mais que um filme sobre Chávez (porca miséria, olha ele aí de novo!), seja interessante acho difícil ele se equiparar aos filmes anteriores do cineasta ianque. Dito isto, caro Sérgio, agradeço vossa participação. Caso se comporte direitinho, da próxima vez ganha um prêmio de consolação.
Bração.
Gustavo em 25/05/2010
Oliver Stoned já ofereceu ácidos melhores, é uma pena, pois este junto com Kubrick definiu muito meu gosto por cinema na infância. Bad trips geralmente passam mas essa tá demorando muito...
hellangeldied em 23/12/2010
Nunca achei os filmes de Oliver Stone grande coisa artisticamente, mas discordo do critico em questão quando diz que isso acende apenas uma caixa de incenso, pois não se trata de um filme de arte e sim de um filme que retrata um povo, o nosso, a nossa historia de sofrimento, deveríamos ascender alguns coquetéis molotov aqui no Brasil após assistir isso, acho que nós nos preocupamos mais com os 4 de julhos, do com nossa própria historia, de qualquer forma existem poucos cineastas de renome lá fora preocupados conosco do mesmo modo que nós nos preocupamos com eles, mas para quem acha que os muçulmanos moravam todos na Islândia parece um critico meio bush ou totalmente bush, tratar desse filme simplesmente como obra artística ou como sucesso comercial é muito pobre, vejam bem e me respondam quantos cineastas sul-americanos fizeram um documentário como este.
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Eu gostei! Aliás eu gostei de todos os filmes do Homem Aranha! Os efeitos ótimos como semp...
por GI123, 29/02/2012 às 02:57
Achei muito bom! A fotografia e as atuações são perfeitas, mas o que eu mais achei intere...
por GI123, 29/02/2012 às 02:45
Ryan Reynolds realmente está ótimo! Com certeza não foi um trabalho fácil, mas ele está...
por GI123, 29/02/2012 às 02:22
Esse filme até que tem um roteiro criativo(para uma situação tão restrita), mas sei lá....
por GI123, 29/02/2012 às 02:17