Diários Cinéfilos

Perdas e Danos por Francisco Russo

19/03/2010 2


Por Rodrigo Fernandes

Em menos de um ano minha memória cinéfila recebeu dois duros golpes. Primeiro, o diretor John Hughes, e agora, o ator Corey Haim deixam todos nós, que fomos guris nos anos 80, na saudade. Porca miséria!

Hughes nunca foi um diretor do primeiro time de Hollywood. Apesar de fazerem um sucesso terrível por essas bandas tropicais, não sei se seus filmes foram essa febre toda lá fora, desconheço. Mas não importa. Mesmo fazendo fitas digamos... adolescentes, o diretor conseguiu algo tremendamente valioso: captar o espírito do seu tempo. Afinal, quem nunca chegou da escola e ficou esperando Curtindo a Vida Adoidado passar na Sessão da Tarde? Pelo amor de deus. Quem nunca quis ter ao menos um dia de Ferris Bueller na vida? Só todo mundo. É claro que tinha gente que sonhava em acordar transformado num dos rebolativos Menudos, mas isso já é outro papo e não tenho nada a ver com a vida de ninguém. Cada um faz o que quer com suas taras e vontades, e o que seria mesmo do pink se todo mundo gostasse do verde exército?


*  *  *


Acho que é só impressão e preconceito, mas parece que naquele tempo os adolescentes eram menos estúpidos que hoje. Pelo menos os filmes eram mais divertidos, traziam algum compromisso com a realidade da molecada. A gente se via na tela grande, se identificava com as embrulhadas dos personagens. Era fácil ter uma certa invejinha do Corey Haim, o garotão descolado que acabava sempre com a garota mais bonita da turma. Ah, se eu tivesse uma jaqueta maneira daquelas! Ah, se eu soubesse o que dizer na hora certa! Ah, se meu pai me emprestasse o carro para um rolé! Vencer a timidez era uma ambição saudável. Corey e seus personagens não eram Heróis no sentido stricto sensu da coisa, mas de alguma forma marcaram sua – nossa – época como um ideal do que a gente poderia-ter-sido. Uma pequena e fugaz utopia.


*  *  *


É claro que o tempo – esse brincalhão –  sempre apronta das suas e as memórias, sobretudo as melhores, vão sendo relegadas aos fundos dos baús e HDs da vida. Como um upgrade à nossa revelia, tudo vai mudando de figura, os ídolos também. Sinceramente, não sei se assistiria algum dos filmes da dupla com prazer nostálgico. O crítico sempre desperta nessas horas e não poupa ninguém do seu dedo acusador. Provavelmente ia achar tudo muito superficial, pueril e sem propósito. É quase certo que acusaria Haim de ser ator de um papel só. Mas, pensando bem, comparando essas guloseimas do passado com o lixo teen de hoje (Crepúsculo, High School Musical e etcéteras), acabaria concedendo algumas estrelinhas para os dois ídolos caídos. Mas quer saber, o melhor mesmo é que fiquem in the deep past. Quando status era lanchar no McDonald's, ter decorado a letra do Faroeste Caboclo e andar com chinelo da Redley, mesmo o falsificado. Lá sempre vai ser o melhor lugar. Não é não?


*  *  *


Ilha do Medo é um filme surpreendente. Nem tanto pela trama sombria onde Scorsese, com o luxuoso auxílio de Leo DiCaprio e Ben Kingsley, leva o espectador por um enredo labiríntico. E sim, como ele faz isso. Com a única pretensão de entreter o público, o diretor formatou um filme que avança mediano e claudicante (pulp?), mas que chega ao final magistralmente bem amarrado. É entretenimento? É, mas é algo mais. É o filme que M. Night Shyamalan há muito está devendo ao seu público.

Comentários

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Eduardo Loyola em 23/03/2010

Assino embaixo, Rodrigo. Concordo com tudo. Principalmente com o comentário sobre o filme do Scorcese.

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Rodrigo Fernandes em 01/04/2010

Scorsese, junto com o Eastwood, é o GRANDE diretor do cinemão americano (do cinemão americano, ghrifem isso aí). Os dois tem uma carreira sólida e longeva e ainda surpreendem. Vamos rezar pelo retorno do terceiro vértice do triângulo, desde AI, Spielberg anda fazendo muita asneira, mas ainda pode fazer coisas decentes. Vamos ver.



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