ex: A Origem
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Texto de Rodrigo Fernandes
Revisionista por excelência, não raro Ang Lee prova que o rótulo é um tanto tímido para defini-lo. Os incompetentes que me perdoem, mas o homem sobra. Foi assim com Razão e sensibilidade (1995), O tigre e o dragão (2000), O segredo de Brokeback Mountain (2005), o infelizmente pouco visto Desejo e perigo (2007) e agora em Aconteceu em Woodstock (ainda em cartaz). Em todos esses a assinatura do taiwanês é nítida: filmes que fogem dos clichês com narrativas intimistas e sensíveis. Onde há sempre um esforço em revelar o lado oculto de paradigmas acima de qualquer suspeita. Afinal, quem teria a sacada de contar uma história de cowboys por um viés gay?
Aconteceu em Woodstock reza no mesmo credo. Lee mira nos bastidores do mítico festival e acerta o alvo com um drama luminosos e terrivelmente humano. Com a pirotecnia roqueira em terceiro plano (Jimi Hendrix, Janis Joplin e todas as estrelas do festival são solenemente ignoradas) sobra para a pequena grande história de Elliot Tiber (Demetri Martin, convincente). Um gay enrustido que vive com os pais no meio da roça e dirige o falido hotel da família. Reprimido pela mãe ditadora (a britânica Imelda Staunton, um achado) e desacreditado pelo pai apático, Elliot finalmente tem a chance de sair do armário em alto estilo e provar que não é um completo idiota. Ele fica responsável por convencer os barnabés da sua cidade que o festival não é nenhuma reedição de Sodoma & Gomorra e que, no fim das contas aquele escarcéu hippie pode ser bom pra todo mundo.
É claro que a jornada do protagonista será repleta de percalços incríveis. Ao invés dos cinco mil esperados, o público alcança cem vezes mais. A cidade para. A fauna de doidões é rica e variada. Os cidadãos se revoltam. A culpa é do Elliot. E tudo literalmente afunda na lama depois de um temporal. Pelo caminho surgem personagens que, apesar de menores, só enriquem a trama. Como Billy, um veterano do Vietnã. Michael Lang o organizador do festival e Vilma, um travesti gente boa interpretado pelo brutamonte Liev Schreiber. Enfim, um elenco sem grandes estrelas, mas na medida.
Acertadamente Lee mergulha nesse delírio flower power sem contaminar seu filme com filosofices “paz e amor”. Desde sempre fica claro que, além do clima de celebração, está a oportunidade para o negócio, o business. Algo, aliás, bem americano. Sem ilusões o diretor também apresenta Woodstock como o ultimo suspiro de uma época. Em breve os grandes ídolos sucumbiriam aos excessos e as drogas pesadas chegariam para ficar. Numa das últimas cenas Michael Lang olha para o horizonte e divaga em fazer um festival ainda mais incrível, em San Francisco, com os Stones. Uma ilusão nada velada ao tenebroso Altamont Festival. Onde os Hells Angels que faziam a “segurança” do evento assassinaram a facadas um dos expectadores.
O que o filme de Ang Lee parece dizer é: aproveitem enquanto é tempo. Tempos sinistros vêm por aí. Carpe diem.
* * *
Por uma pá de motivos não pude mandar minha lista dos melhores do ano de 2009 para os editores desse mui heróico portal. O faço agora, atrasado, mas igualmente convicto. No final das contas – ao menos nas salas de cinema – o ano foi um dos melhores dos últimos tempos. Deu para reclamar não.
Quem quer ser um milionário?
Gran Torino
O lutador
A mulher invisível
Milk – A voz da igualdade
Frost/ Nixon
Tony Manero
Foi apenas um sonho
Inimigos Públicos
Anticristo
Sr. Ketilys em 06/02/2010
Sim! Sim! Ang Lee sobra. Compartilho desse sentimento pois ate mesmo Hulk me fez ficar embasbacado com a leitura do mestre. Seus filmes me fazem ter uma sensacao orgasmica sempre que me permito aprecia-los. Foi assim primeiramente com O Tigre e o Dragao, depois com Hulk, com Brockback Mountain e agora com Aconteceu em Woodstock.
Rodrigo Fernandes em 13/02/2010
O Hulk de certa forma foi injustiçado, mas a proposta de Ang Lee foi vanguardista demais. Ele talvez tenha superestimado seu público. Pouca gente entendeu a ligação que o diretor fez do universo do herói dos quadrinhos com a tragédia grega. Uma pena.
Eduardo Loyola em 08/03/2010
A lista é muito boa, mas faltou o leitor. Também não entendi a presença de A Mulher Invisível. Era só para ter um filme nacional na lista? Há filmes melhores...
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Eu gostei! Aliás eu gostei de todos os filmes do Homem Aranha! Os efeitos ótimos como semp...
por GI123, 29/02/2012 às 02:57
Achei muito bom! A fotografia e as atuações são perfeitas, mas o que eu mais achei intere...
por GI123, 29/02/2012 às 02:45
Ryan Reynolds realmente está ótimo! Com certeza não foi um trabalho fácil, mas ele está...
por GI123, 29/02/2012 às 02:22
Esse filme até que tem um roteiro criativo(para uma situação tão restrita), mas sei lá....
por GI123, 29/02/2012 às 02:17