ex: A Origem
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Sátira política e histórica, homenagem aos dubladores ou uma simples comédia? O espectador que comprar as primeiras opções, já senta na poltrona com uma vantagem e tanto sobre os que esperam morrer de rir. A explicação é que o riso não vem fácil e nem parece ser esse o caminho escolhido pelos realizadores. O que não significa que a diversão não esteja garantida, pois trata-se de uma ideia diferente e bem realizada.
A história se passa na época da Guerra Fria, quando Estados Unidos e União Soviética eram inimigos mortais e a espionagem era muito mais do que ficção no cinema. Troy Somerset (Selton Mello) é um agente infiltrado da CIA nascido no Estados Unidos, apaixonado pelo Brasil e sem a menor vontade de voltar para a terra natal. Sempre ao lado do Major Esdras (Otávio Muller), militar brasileiro, traíra da "pátria amada, idolatrada, salve, salve", o capitalista-mor (em crise existencial) participa de movimentos conspiratórios para desestabilizar o país no período que antecede o golpe militar de 1964. Mas as maracutaias costuradas nos bastidores de uma sapataria e auxiliadas por mequetrefes de quinta categoria podem colocar tudo a perder.
Escrito e dirigido por Mauro Lima (Meu Nome Não é Johnny), Reis e Ratos é ousado sob vários aspectos. Vai desde o uso do preto e branco em boa parte do filme, passando pelo fatos reais em total conluio com uma interpretação propositalmente cínica de alguns personagens, que falam como se estivessem dublando/tirando um sarro de uma produção gringa. Aos que encontrarem traços parecidos em programas da tv (Casseta & Planeta/Rede Globo ou Hermes & Renato/MTV), a brincadeira é mais antiga que essas produções e o mérito, na verdade, está em realizá-la com qualidade, como acontece nesta obra.
Contaminado por referências e citações (filmes noir, Orson Welles, Jim das Selvas, Victor Mature, entre outros), a força da produção, caprichada já nos créditos iniciais (com caracteres russos), está nos muitos diálogos inspirados e cheios de sacadas políticas. Mas o que é bom para uns, pode ser ruim para outros. E algumas brincadeiras, usando expressões em inglês (sem legendas), podem falhar solenemente. Por outro lado, deve atrair correligionários a presença de famosos, como o galã Rodrigo Santoro (bem desconstruído no asqueroso Rony Rato), e Cauã Reymond interpretando Hervé, locutor de rádio com poderes mediúnicos e sexualidade longe de ser única.
Ainda no elenco, vale destacar a presença de Oberdan Júnior (Clay Benitez), o menino de várias novelas da década de 1980, Kiko Mascarenhas (Skutch Sanders), Orã Figueiredo (Esmeraldo Carvalhal), além de Hélio Ribeiro (Embaixador), dono da conhecida voz de Robert De Niro e Steve Martin por aqui e seu companheiro de profissão Élcio Romar (Presidente), conhecido "auditivamente" como Michael Douglas e Woody Allen, entre outros.
Num esquema de ação entre amigos na hora do "vamo vê" (leia-se cachê), o longa foi rodado em apenas 17 dias, aproveitando o set de O Bem Amado (2010) e a brincadeira funciona na tela branca da sala escura. Bem humorado até nos nomes dos personagens, o final inconcluso (para alguns) será a única pedra no sapato, mas o desconforto pode nem ser sentido por muitos que vão viajar no delírio satírico e histórico, com trilha de Caetano Veloso. Ou não.
Neo2011 em 17/02/2012
Roberto, pelo seu texto, me parece algo mais experimental do que propriamente uma comédia nos moldes tradicionais, e ainda precisa que o expectador tenha uma boa bagagem de informações políticas/históricas, ou seja é para poucos, é mais ou menos isso mesmo ?
Roberto Cunha em 17/02/2012
Mais ou menos. Na verdade, uma boa dose da experimentação (bem executada) está no uso do P&B (em época de 3D e efeitos especiais) e na brincadeira dos diálogos, especialmente os de Selton. Sobre as informações políticas/históricas, elas são contadas na trama, que tem começo, meio e fim. Uma diferença a favor vai existir para quem já era chegado no assunto, que tem base em fatos reais acrescidos de pitadas de delírio. Mas está longe de ser um filme cabeçudo. (risos) Relaxe com isso.
Como costumo dizer, o melhor - sempre - é ter a própria opinião para depois debater. ;-) Valeu pela participação! Bom carnaval.
giovannamarks em 18/02/2012
Adorei o filme, mas como o Neo2011 disse é um filme para poucos, não por causa dos fatos históricos prque como Roberto falou o filme conta começo meio e fim desses fatos, mas porque esse filme é uma comédia critica ou cinica, ele não é uma comédia pra você sair de chorando de tanto rir, mas você ri sim em algumas cenas. A maquiagem do Santoro estava perfeita, ele realmente ficou asqueroso e natural. Eu achei o filme espetacular e por ter sido gravado em 17 dias ficou ainda mais espetacular, tem mais qualidade do que muitos filmes que demoraram anos para terminar. Simplismente adorei, mas pra você que gosta da comédia por comédia não perca seu tempo esse não é o tipo de filme, esse é uma comédia bem cult.
Roberto Cunha em 19/02/2012
É isso aí. Como disse no começo, o riso não vem fácil, mas a ideia não era essa. O rótulo "comédia" pode ser o principal fator para este filme ser mal percebido. Mais ou menos o que aconteceu com O Homem do Futuro, que também não era comédia. De qualquer forma, Reis e Ratos é uma experiência interessante e não merecia ser desprezada como alguns críticos vem fazendo, cobrando determinadas coisas sem fundamento porque a proposta está clara desde o começo. Valeu pela participação! ;-)
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Eu gostei! Aliás eu gostei de todos os filmes do Homem Aranha! Os efeitos ótimos como semp...
por GI123, 29/02/2012 às 02:57
Achei muito bom! A fotografia e as atuações são perfeitas, mas o que eu mais achei intere...
por GI123, 29/02/2012 às 02:45
Ryan Reynolds realmente está ótimo! Com certeza não foi um trabalho fácil, mas ele está...
por GI123, 29/02/2012 às 02:22
Esse filme até que tem um roteiro criativo(para uma situação tão restrita), mas sei lá....
por GI123, 29/02/2012 às 02:17